quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Heartache


      Reconheço que pior do que magoar uma pessoa é deixá-la ir embora magoada. O problema é que isso sempre acontece. Não adianta pedir desculpas e continuar fazendo. Já sei que depois a mágoa acaba virando ódio. É uma das formas mais comuns de convencer-se que superou.
     Quando éramos criança, tínhamos o instinto inexplicável de superação. Mesmo com medo do escuro, apagávamos a luz; mesmo com medo de cair, descíamos do escorregador. Todas as lágrimas eram de pura inocência. Hoje o sofrimento e o choro provêm da dor e da infelicidade de alguma palavra que toca nosso ponto fraco ou atitude que acaba nos atingindo como a mais afiada faca cravada no peito.
    Perdoar é um dos mais difíceis atos. Precisa, além de tudo, ser algo sincero. Só somos capazes de perdoar quando finalmente conseguimos tirar a faca do peito. Mas isso não quer dizer que as coisas voltam a ser como eram antes, por exemplo.

      Perdoar não significa esquecer, significa superar.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Refúgio


       Alguns acreditam em pessoas, eu acredito na música. 

      Por mais que as pessoas tenham a capacidade de decepcionar as outras, a música nunca falha. Quem nunca chorou quando ouviu uma música que trouxe à tona lembranças adormecidas? É, basicamente, a melodia que chora junto. Não estou falando de estilos musicais, mas do quanto cada coisa é importante para alguém. Às vezes é necessário que as pessoas criem um refúgio, pois estar sozinho nem sempre é bom.
     Existem também os talentos escondidos, os dons indecifráveis e vários outros tipos. Aos poucos as pessoas se encontram, mas algumas tem a sorte de serem encontradas.
     Quando criança, eu queria ser cantora. Ok, eu queria ser bem mais do que só uma cantora, mas, resumindo, eu queria ter um dom. Por fim, diante de tudo aquilo que eu já tentei ser na minha vida, agora eu sou o que nunca havia tentado ser: eu mesma. E, mesmo isso sendo estranho de dizer, foi a música que me ajudou a descobrir isso.

       Conforme o tempo passa eu vou criando a minha trilha sonora.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Bússola quebrada


     Meu coração é uma bússola quebrada, somente isso explica o fato dele estar sempre mudando de direção, me levando a caminhos errados. A mente diz que não, mas o coração teima em dizer que sim. Por quê? Seria tão mais fácil se esse coração, que um dia foi de gelo, aceitasse que é impossível. Amar não é impossível, jamais. Porém fazer com que alguém me ame da maneira que eu quero, sim. 
      
      Borboletas me atacam quase sempre.
    
     Eu fico angustiada por não conseguir explicar esse fenômeno, pois sou dessas que possui a mania de querer explicar tudo o tempo todo. Mas o que me deixa mais confusa é que, na verdade, não há mesmo explicação. Não existe. Ponto. É tudo criação da minha mente traiçoeira.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Come back to me


   Está acontecendo de novo. É como se toda a poeira que eu havia retirado estivesse voltando para os móveis, que aliás, foram trocados de lugar. Nada que eu faça vai te fazer voltar, mas é justo que você perdoe os erros que também comete.
    Esqueça o que eu falei, esqueça o que te fez sentir assim, esqueça que eu errei. Só não esqueça de mim. Não finja que eu não estou aqui, que eu não existo. Esqueça essa ideia de me querer longe, de me esquecer. E, eu bem sei que você entende por que eu ainda permaneço aqui.
    
    É irônico perceber que aquele que me pediu para ficar é quem resolveu ir embora.
    Que tal voltar?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sobre escrever

     Desabafar no papel é algo que faz muito bem para algumas pessoas, desde o “casamento” a uma “carta de amor” até o “divórcio”, se é que me entendem. Mas com o tempo perdemos esse hábito de lidar com as palavras, com as pessoas e com a vida. Por exemplo, logo eu que sempre fui boa com as palavras, acabei perdendo todas elas.
      A maioria dos escritores colocam sentimentos próprios em suas obras, alguns já não conseguem fazer isso. Estou entre esses dois termos e então acabo colocando sentimento onde não tem, ou não pode ter. O disfarce é essencial também, pois falar o que sente é como cometer suicídio.

“O meu vício de hoje pode ser o passo para o meu abismo de amanhã.” Li esse trecho uma vez em A Menina Que Roubava Livros.
     
      Escrever já foi meu vício, já me levou para o abismo mas também já foi solução.

sábado, 6 de outubro de 2012

I wanna be your star girl


Sabe? Se eu te contasse, talvez você entenderia porque as coisas acontecem assim. Você entenderia porque as folhas caem no inverno também, ao invés de congelarem. Entenderia porque eu uso uma roupa diferente todos os dias e porque tenho um tipo de sorriso para cada situação. Mas tudo isso, apenas se você um dia ficasse sabendo. Por enquanto, fique sem entender, não é preciso. Eu só queria te contar, mas acabei escrevendo. De nada adiantaria falar se meu coração ainda está desabrigado e ninguém o deixa entrar, nem mesmo eu permito.
E se você se sentisse como eu, talvez também não contaria e deixaria todos sem entender nada. Acho que eu posso dizer que já desisti. Não totalmente, porque ainda estou aqui, mas aos poucos isso vai passando... Engano meu, seu, nosso, deles. Nunca passa se você esconde.
Às vezes, o pouco tempo que tenho acaba tornando-se todo o tempo do mundo. Quando tenho pouco tempo, escrevo músicas. Se estou escrevendo isso agora é porque me sinto com todo tempo do mundo, sem ter com quem perder. Não mais. Porque hoje em dia involuntariamente dividimos nosso tempo e espaço com alguém. Nada é somente seu, o que eu não aceito, claro. Mas enquanto eu não te contar, você pode não saber disso.
A mente humana se acha controladora do que ela não é: pessoas. Porém, o que posso fazer eu com direito se escondo o que sinto? Ninguém tem nada a ver com a dor alheia, mas ela existe: estampada num sorriso, escrita numa folha de papel, na nota de uma música e até mesmo na roupa, maquiagem ou cabelo.
Talvez se você soubesse, essa dor não existiria, essa agonia de te querer sempre por perto passaria e eu poderia perder meu tempo com você. Apenas sonho meu, pois sou egoísta a ponto de preferir esconder. De nada adiantaria falar sendo última opção.
Está frio lá fora, ainda mais dentro de mim. E não sei o que dói mais: saber ou não saber das coisas. Pareço quieta agora, concentrada e derivados, porém minha mente está inquieta como um vulcão em erupção, pensando em tudo e em nada, devastando tudo ao meu redor e dentro de mim. Tudo isso, e mais, porque você não sabe ou não tem certeza.
Ah, se eu te contasse, talvez você entenderia porque nem sempre o sol nasce, dando lugar a chuva. Até mesmo o sol divide seu céu com as nuvens e seu brilho com as estrelas.
Por mais que eu queira, eu não sou o sol. Não tenho essa capacidade de dividir meu céu. Talvez eu seja uma estrela esperando a hora de me colocar em meu lugar. E aí, você estará esperando a lua chegar, sem perceber que existe uma estrela brihando para você. Uma hora essa estrela vai se apagar e o sol vai dar lugar a chuva, fazendo a lua desaparecer. E então, quem brilhará para você?
A natureza não escolhe, mas tem o direito de escolher. Ser livre é isso, porém ninguém possui tanta liberdade quanto quer. O desejo nada mais é do que um inimigo para nós. Eu bem sei disso. Você deveria saber também, mas prefere aprender por si. Grande erro, talvez. Mas agora, quem sou eu para dizer? Que escondo cada pedaço de sentimento que nasce, o desejo que toma conta de mim aos poucos. Eu também tive que abrir mão desse desejo e de tantos outros para deixar meu lugar de estrela e deixar o sol voltar a brilhar. Porque afinal, mesmo os amantes das estrelas querem ver o sol e esperam por ele ansiosamente toda manhã.
Acho que sou uma estrela virando chuva indesejada no final de semana, aquela que atrapalha planos alheios sem intenção.
Perder você é pior do que parar de brilhar, é como viver num mundo sem ar. E apesar de guardar tudo o que não quero contar, sinto como se fosse melhor assim. Se eu deixasse agora de brilhar seria suicídio. Mas o que você diria sobre isso? Certamente colocaria outra estrela no meu lugar, porque é isso o que acontece com as pessoas também: substituem e são substituídas. O mundo é feito de substituições e trocas, perdas e, com muita sorte, ganhos.
Se eu soubesse que um dia perderia meu brilho, nunca teria virado estrela e tentaria ser o sol, que é tão desejado e querido por todos, que é tão generoso a ponto de dividir seu brilho e seu céu.
Aqui dentro me sinto como chuva, mas lá fora sou estrela tentando virar lua.
Acabou de chover por um tempo, eis então a alegria de alguns. Ainda quero te contar, mas não posso. É tão mais fácil apenas sentir, portanto, fique sem entender. E eu, sem aceitar. Não me pergunte por que as coisas ocorrem desta maneira, pois não posso dizer... talvez nem eu saiba e estou procurando entender.
Ainda não comentei sobre a lua, essa qual o sol tanto admira. Eu odeio a lua e também odeio o fato de ter que dividir meu céu com ela. Porque eu, apesar de também ser importante, sou apenas uma estrela, nada além disso, e tenho que dividir meu céu e meu sol como se isso fosse justo. Apenas as outras estrelas precisam de mim, estrelas como eu. Nada somos diante de tão ofuscantes astros.
Se você soubesse, caso eu te contasse, talvez entenderia tudo isso. Entenderia quem é quem, o que somos e o que podemos ser. A natureza nos permite escolher, basta eu te contar e você saber.
Contudo, o medo impede as pessoas de fazerem coisas que as deixem felizes. O medo, assim como o desejo, também é nosso inimigo. Ao parar para pensar no feito e não feito, a dor aumenta. Aperta o peito, toma conta dos pensamentos e afugenta a mínima coragem ainda existente. Eu, você, qualquer pessoa... todos precisamos de uma fonte apoiadora. Você é a minha. Se eu sou a fonte de alguém, não tenho conhecimento.
Quem é sua fonte? Quem é o seu refúgio nos momentos em que seu estado de espírito adoece? Gostaria eu de saber, ou de ser. Mas sou apenas uma estrela ofuscada pela linda lua, não podemos esquecer.
Dentro de mim há nuvens e um inverno com chuvas que não cessam. Há também um manual incompreensível de como defender a galáxia e algumas cifras decoradas. A música é algo que me ouve sem reclamar. Na verdade, ambas nos entendemos. Música é harmonia, é paixão desenfreada. Aliás, sua voz é como música para os meus ouvidos, pois estrelas também cantam, ouvem e amam.
Sem querer estou te contando, é possível perceber? O sol é capaz de ouvir uma estrela enquanto admira a lua?
Voltando a ser chuva indesejada, aquela que você sabe que precisa, mas que não quer que ocorra. Aquela que traz de volta a vida quando está morrendo e a esperança quando está acabando.
Se você soubesse, entenderia como me sinto fora de órbita ao seu lado, e também quando estamos distantes. E sempre que eu tento me aproximar, eu receio fugir para bem longe e mesmo assim te encontrar. É complexo, sabe? Nenhum manual explica, mas um olhar ou um abraço diz. Diz para quem quer ouvir e também pode esconder, na maioria das vezes.
Então, pare de observar a lua e preste atenção na estrela. Ela está brilhando para você, que se põe ao anoitecer dando lugar à lua. Até quando essa estrela vai brilhar? E quando ela se apagar? Deixe-a ser a lua por alguns instantes, ela quer sua atenção, se sente sozinha e não possui imensidão.
Mas, por favor, não olhe para a estrela errada. Eu sei que em meio a tantas, isso é possível acontecer. Ser estrela também tem lá suas complicações, principalmente por ser muito comum. Há os que dizem que estrelas são anjos que observam a terra e há os que dizem que são cometas que passaram milhões de anos atrás pela terra. Eu sou apenas uma estrela, nada além disso. Quem dera ter sido cometa um dia, quem dera ser anjo...
Isto não é uma carta, caso fosse, já teria sido endereçada e enviada. Pararia por aqui, sem te contar nada dizendo tudo. Ainda não acabou, por isso não possui remetente registrado. Nenhuma história tem fim, ainda mais comparada a astros eternos. Depois disso, todo mundo acaba virando estrela como eu.

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Bom, é sempre difícil começar alguma coisa.
Quem sabe o blog venha a vingar, quem sabe eu possa colocar para fora alguns sentimentos guardados e algumas palavras perdidas. Não prometo nada, mas tentarei. Tentar é bom, mas arriscar nem sempre, né?