Certa tarde,
em verões passados, eu estava sentada de frente ao mar na areia molhada esperando
o sol se pôr. Eu sentia a água chegar até meus pés transmitindo uma sensação de
alívio e depois a observava indo embora. Eu não me preocupava com o fato da água
consolar meus pés quentes e depois me abandonar, pois eu sabia que ela sempre
voltaria para aliviar meus pés novamente.
No final da
tarde daquele mesmo dia quando o sol já havia se retirado, eu senti vontade de
deixar a mesma água que consolava meus pés levar meus fantasmas embora. Sendo
assim, eu escrevi alguns nomes na areia e para cada nome, uma saudação. Ocorreu
como eu esperava: conforme eu ia escrevendo, a água tomava conta da areia e
enterrava os nomes e as saudações ali registradas.
Porém, eu havia
esquecido de um detalhe.
Assim como a natureza levaria embora meus fantasmas, um
dia ela os traria de volta.
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